









A segunda noite cultural do IV Simpósio de Comunicação teve como atração um sarau protagonizado por estudantes da Ufma.
Intitulada “Pratas da casa”, a festa chamou a atenção do público presente. O evento foi prestigiado tanto por participantes do Simpósio quanto por alunos dos cursos noturnos e pelo público externo, atraídos pela boa música de Marcela Barros e Anderson Lima, que abriram as apresentações.
A cantora é aluna do oitavo período de Jornalismo. A voz aveludada prendeu a atenção da platéia, que por várias vezes pediu bis. Marcela canta na noite imperatrizense há dois anos, e a convite do Projeto Comcultra abrilhantou o sarau.
Marcela avalia como muito positiva a apresentação e descreve a recepção do público da Ufma como acolhedora e calorosa e diz que sentiu-se em casa . A iniciativa é muito positiva. A Ufma é um celeiro de talentos, da música e das artes em geral. “Muitas vezes não se tem espaço pra isso, mas a universidade está oferecendo este”, observa.
Outro convidado foi o aluno do 5º período de jornalismo, Mário Lima. O estudante apresentou uma de suas composições Pra sempre, entre outras canções da MPB. Mário nos relata, antes de sua apresentação, estar muito à vontade. “É como se eu fosse cantar na minha casa, já que estou no meio de amigos. Não estou nem um pouco nervoso”, disse.
A Profª Msc Letícia Cardoso, coordenadora do Comcultura, comenta ter alcançado as expectativas para esse evento, dada a resposta do público. "Não poderia ser melhor. A empolgação das pessoas, a participação dos alunos, me deixou muito feliz. Estou muito surpresa. O nosso objetivo principal com este evento foi ter dado oportunidade para os talentos se revelarem e serem reconhecidos na cidade", pontua.
Ao todo, 12 artistas, da comunidade em geral e da universidade, se inscreveram para participar do Sarau, de forma voluntária, e muitos outros não conseguiram mostrar seu trabalho pela limitação de tempo do evento, o que reflete a falta de espaços públicos para os artistas iniciantes em Imperatriz.
A seguir o video de Nicia de Oliveira do Sarau dos artistas da UFMA:
Acompanhe também a cobertura deste evento no site Imperatriz noticias:
http://imperatriznoticias.com.br/component/content/article/60-geral/2144-sarau-pratas-da-casa-um-garimpo-na-universidade
Creditos das fotos: site Imperatriz Noticias.
Por Geovana Frasão
Na Primeira noite cultural do IV Simpósio de Comunicação, o Projeto Comcultura levou ao pátio da Ufma um dos mais tradicionais grupos folclóricos de Imperatriz, o Batalhão Real, liderado por Dona Francisca do Lindô.
Dona Francisca é moradora do bairro Santa Inês e a dança do Lindô é praticada e difundida por ela há mais de três décadas, tanto que com o passar do tempo tornou-se um complemento do seu nome, sendo conhecida em toda a região pelo trabalho e dedicação com que propaga e divulga a cultura do Lindô.
Os dançarinos são todos familiares de dona Francisca. Filhos, netos, genros e noras, perpetuam a tradição aprendida por Francisca ainda na infância.
José Regivaldo, filho da mestra, dança desde criança e afirma “ter muito gosto pelo ensinamento da mãe”. Regivaldo diz ainda que o grupo realiza muitas apresentações na cidade e nos arredores. “Muita gente gosta da dança, é muito bom quando as pessoas valorizam. Infelizmente tem gente que discrimina acha que é macumba, mas aqui na Universidade foi muito bom, porque eu nunca tinha visto as pessoas entrarem na dança como aconteceu, isso me deixou muito feliz, nunca imaginei uma coisa dessa”, confidenciou.
O cd Batalhão Real foi lançado durante o evento. Além de composições típicas do lindô apresenta também a mangaba, outro ritmo característico do grupo. A apresentação ao vivo de dona Francisca e seu grupo empolgou o público presente, que não se conteve e entrou na roda. O gingado envolvente atraiu a comunidade acadêmica que respondeu com muitos aplausos à apresentação.
A estudante de jornalismo Carla Dutra comenta sobre a importância de eventos como este para a academia. “Geralmente se conhece pouco sobre a cultura local e uma iniciativa como esta de trazer à Universidade algo que fica ‘distante’ de nós, chama muito a atenção porque nos mostra o quanto não conhecemos o que nossa cidade tem pra oferecer”, analisa.
Dona Francisca canta, toca e ainda orienta os brincantes. O tempo todo gesticula, organiza e observa cada momento da dança.
A estudante e pesquisadora Lúcia Pacheco acompanha o trabalho de Francisca do Lindô e diz que ficou muito surpresa com a interação do público com os dançantes. “Me surpreendi, não esperava que isso fosse acontecer. As pessoas interagiram de maneira não forçada, de brincadeira foram entrando e de repente tomaram a roda”, confessa. A pesquisadora ainda comenta a importância da iniciativa que segundo ela é uma oportunidade das pessoas conhecerem outros movimentos culturais diferentes dos oferecidos pela mídia.
Francisca do Lindô relata que a dança é própria do período da quaresma, mas durante todo o ano acontecem os ensaios e apresentações. “No início quando chegou ao Brasil, a nome era dança do lindo, com o tempo ficou dança do lindô. Primeiro chegou na cidade de Caxias e quando eu mudei pra Imperatriz eu trouxe a dança. Isso já tem mais de trinta anos”, explica. Essa foi a primeira apresentação depois que ficou viúva há um ano, dona Francisca fala com carinho dom marido que não queria que ela deixasse de fazer a dança que gosta tanto, e alega ter sido muito boa a noite e os aplausos dos presentes.
DIA 1 – QUARTA-FEIRA
8 HORAS INÍCIO DA ORGANIZAÇÃO
9 HORAS EXPOSIÇÃO DE FOTO
9 ÀS 12 HORAS – MINICURSOS
12 HORAS ÀS 14 HORAS- SESSÃO DO CINE MUIRAQUITÃ
14 ÀS 18 HORAS - APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS
19H30 HORAS – INTERVENÇÃO TEATRAL-ABERTURA OFICIAL
20H PALESTRA DE ABERTURA COM HONÓRIO JACOMETO
21H30 NOITE DA CULTURA POPULAR - Francisca do Lindô
DIA 2 – QUINTA-FEIRA
9 HORAS – INÍCIO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
9 ÀS 12 HORAS – MINICURSOS
12 ÀS 14 HORAS, CINE MUIRAQUITÃ
14 ÀS 18 HORAS – MOSTRA CIENTÍFICA
19H HORAS – INTERVENÇÃO TEATRAL
20h -MESA REDONDA: Cultura, Mídia e Política: Construindo uma sociedade democrática - Prof. Msc. Ed Wilson e Prof. Alexandre Maciel
21h ÀS 23 HORAS- PALCO ABERTO: Pratas da Casa
DIA 3 – SEXTA-FEIRA
9 ÀS 12 HORAS – EXPOSIÇÃO DA FOTOGRAFIA E APURAÇÃO
9 ÀS 12 HORAS – MINICURSOS
12 ÀS 14 HORAS, CINE MUIRAQUITÃ
14 ÀS 18 HORAS – MOSTRA CIENTÍFICA
19 HORAS – INTERVENÇÃO TEATRAL, COMEMORAÇÃO DOS 4 ANOS DO CURSO, PREMIAÇÃO DA FOTOGRAFIA.
20h – FESTA DE ENCERRAMENTO: NOITE DE HIP HOP
No palco as luzes iluminam os atores que interpretam e incorporam seus personagens, na arquibancada as cadeiras vazias. A ausência da platéia e a falta de palmas revelam que no Teatro Ferreira Gullar a companhia Okazajo ensaia mais uma de suas peças.
O calor da tarde e o céu límpido destoam do escuro do teatro onde em um círculo no palco os atores lêem o roteiro e vão formando os seus personagens. O ensaio é regado a muitos risos e comentários. Trata-se da reapresentação de “A casa”.
As primeiras falas da personagem principal revelam o ácido humor “Pobre que é pobre tem que assistir o Bandeira 2 pra ter assunto com a vizinhança o dia todo”. Os risos dos atores assim como o som do tambor de outro ensaio invadem o único teatro na cidade, necessariamente divido entre os grupos culturais.
Muitas falas geram identificação de experiências próprias, um dos atores reclama “Tu fica contando as intimidades dos outros”, risos. As experiências pessoais inspiram e enriquecem o texto.
O ensaio é descontraído e engraçado, porém com algumas adaptações na linguagem, que deve ser um pouco mais comportada, segundo o diretor que tenta controlar os atores quando eles extravasam e fazem piadas muito picantes: “Não fala ‘priquito’ fala ‘xana!’”, a gargalhada é geral.
Os atores discutem o texto e continuam o ensaio, mas são constantemente atrapalhados pelo calor e pelo barulho do ensaio de um grupo musical: “Isso é que dá não ensaiar no Projac”, graceja um dos atores.
A leitura continua com fortes e engraçadas falas: “Se essa criança não latir em três dias, pode criar que é gente.” Apesar do ensaio, o texto é apenas uma base, a peça é principalmente improvisação e requer talento, rapidez e inteligência dos atores, mas eles fazem humor até com as responsabilidades e brincam com o ator que fará a protagonista: “Não queremos te pressionar, mas se a peça não der certo, a culpa é toda tua, baby”.
E ainda com muitos risos eles saem para um pequeno intervalo e um bate-papo descontraído com o ComCultura. E mais tarde subirão ao palco novamente, desta vez para encarnar e construir seus personagens, afinal em apenas uma semana estarão se apresentando pra valer ao público!
O projeto ComCultura visitou mais um grupo cultural de Imperatriz: a companhia de teatro Okazajo, que falou das dificuldades de viver de arte no Maranhão e do amor pelo teatro.
A companhia de Teatro Okazajo vem há oito anos produzindo e encenando penas cômicas e já é sucesso em Imperatriz, mas não pretende parar por aí, a intenção é se aperfeiçoar cada vez mais e mostrar o trabalho em outras cidades.
O diretor-geral do Grupo Rogério Benicio relatou ao ComCultura a dificuldade da formação teatral para o grupo, pois há um grande déficit de cursos de teatro na cidade. “Aprendemos mais com a pratica. Na maioria das vezes foi preciso buscar especializações em outras cidades”, confidencia.
Para manter a produção artística da companhia são necessários esforços de todo o grupo, com ensaios altas horas da noite, depois do trabalho, faculdade, escola. Além da divisão da produção entre os próprios atores que assumem também o papel de figurinistas, roteiristas, criadores de cenário, maquiadores e responsáveis pela bilheteria.
O apoio financeiro à cultura ainda é escasso no município: “A cidade não nos ampara”, diz Whallassy Oliveira, integrante do grupo. Por causa disso, os membros do Okazajo em geral têm outra profissão. Buscam formas de se manter financeiramente para poderem ser atores. Segundo o grupo, as peças teatrais são feitas por amor, pois ainda não há como viver de teatro em Imperatriz.
E através da irreverência e do humor ¨escrachado¨, como eles próprios denominam, foram conquistando aos poucos seu espaço e um grande público: “Uma luz que buscamos para fazer teatro em Imperatriz foi a comédia”, diz Rogério. O forte uso do regionalismo é uma as principais marcas da companhia, explica o diretor-geral. “O nosso maior foco é a regionalização do texto”.
As fortes marcas da companhia também já foram alvos de crítica pela sociedade, mas todas superadas pelo grupo. “O pessoal de Imperatriz é muito preconceituoso, já taxaram o Okazajo como companhia de bichinhas!”, dispara Rogério, indiferente aos comentários negativos, mas receptivo às críticas construtivas, que apontem as falhas e sugiram melhorias.
A companhia reapresentou no último fim de semana (25 e 26) a primeira peça estreada pelo Okazajo, escrita por Rogério há 8 anos. Trata-se do espetáculo “A casa”, que aborda com humor as mazelas sociais de uma mãe solteira com vários filhos problemáticos em um bairro pobre de Imperatriz. A nova versão da peça é menos escrachada, mais atual e ganhou novos personagens.



